18 de fev de 2011

Especial Egito e Líbia

Nesse sábado vamos ter um programa especial em homenagem ao Egito e a Líbia.

O programa pode ser ouvido ao vivo via rede no site do irdeb. (19h em Salvador e 20h no sudeste)

Leia aqui mais informações sobre a onda de revoltas no norte da África.

Para entrar no clima veja o clip do músico egípicio Amir Eid gravado na praça Tahrir em pleno
protesto.





11 de fev de 2011

#25jan


Americanos lançam rap sobre a rebelião egípcia no YouTube
PAULA DAIBERT
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM DOHA (QATAR)

"Ouvi eles dizerem que a revolução não será televisionada; a Al Jazeera provou que estavam errados; o Twitter os deixou paralisados." São esses os primeiros versos, em inglês, de "#Jan25", rap criado por um grupo de artistas americanos e canadenses de origem árabe, inspirado nos protestos que ocorrem no Egito há mais de duas semanas.
O título faz referência ao símbolo "hashtag", que caracteriza os tuítes, e à data em que se iniciaram as gigantescas manifestações que pedem a queda do ditador egípcio, Hosni Mubarak.
Produzida pelo palestino-americano Sami Matar, a música é uma parceria entre os rappers Omar Offendum, The Narcicyst, Amir Sulaiman, Ayah e Freeway.
Colocado no ar na última segunda-feira, o videoclipe de "#Jan25" já havia ultrapassado 45 mil visualizações no YouTube desde o seu lançamento até o fechamento desta edição.
Com 5 minutos e 48 segundos de duração, o vídeo é uma compilação de várias cenas de confronto entre os manifestantes e a polícia em lugares como a praça Tahrir, epicentro das manifestações pela derrubada da ditadura.
Os artistas só aparecem em montagem fotográfica no início e no final do vídeo, que também aproveita a narração da rede árabe Al Jazeera.
"A revolução não será televisionada" é citação do título da canção mais conhecida de Gil Scott-Heron, músico e escritor americano considerado precursor do rap, lançada em 1970 como uma crítica à mídia "mainstream".
Segundo Offendum, apesar do uso maciço das redes sociais Twitter e Facebook na organização e disseminação de mensagens de apoio aos protestos, o que está ocorrendo no Egito no momento é uma revolução popular real.
"Essa não é uma revolução do Twitter. Foi preciso que muitas pessoas se unissem e se comunicassem para que ela acontecesse", afirmou o rapper sírio-americano durante entrevista à Folha em Doha, no Qatar.
Entretanto, ele não deixa de mencionar que o bloqueio do Twitter no Egito nos primeiros dias de protestos é um sinal de que "os responsáveis pela atual situação no país se dão conta da ameaça que as redes sociais podem representar para eles".
O artista ressalta ainda a importância da transmissão dos protestos pela televisão, sobretudo a Al Jazeera, baseada em Doha, que, segundo ele, preenche um vazio.

Folha de São Paulo, quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

7 de fev de 2011

Uma invasão de indie rock vindo da África


Jimi Hendrix é mixado com música nativa
Por LARRY ROHTER (The New York Times)

Para onde quer que você olhe, hoje em dia, parece que o mundo do indie rock está explorando sons vindos da África, a origem ancestral de gêneros americanos como o jazz e o blues.
Em termos de geografia, os grupos africanos que estão começando a ser ouvidos nos EUA incluem alguns de países como África do Sul, Serra Leoa, Quênia e Ruanda. Mas o ponto focal do interesse das gravadoras é claramente o Mali.
País da África ocidental subsaariana, sem saída para o mar e com apenas 14,5 milhões de habitantes -menos de um décimo da população da Nigéria-, o Mali ganhou fama de potência musical.
O etnomusicólogo Jon Kertzer, que comanda o selo Next Ambiance da gravadora indie Sub Pop, chegou a escrever um artigo intitulado "Good Golly, Why Mali?".
Uma resposta talvez seja o longo histórico do país como encruzilhada de povos nômades, fato que resultou em um misto incomum de culturas e estilos musicais: bambaras, sonrais, mandingas, árabes e tuaregues, entre outros. Também ajuda o fato de a música malinesa ser baseada numa tradição forte de instrumentos de corda, caso do corá, semelhante a uma harpa, e do ngoni, visto como antepassado do banjo; ambos soam familiares aos ouvidos ocidentais acostumados ao violão.
"É lógico que o ponto de entrada seja um instrumento que você consegue reconhecer", disse Bettina Richards, fundadora da Thrill Jockey, cujos artistas africanos incluem o quarteto elétrico baseado em rock Extra Golden, composto de dois americanos e dois quenianos.
Selos como o Nonesuch começaram a lançar compilações de música africana já nos anos 1960. Mas os executivos de selos indie, blogueiros e fãs da música africana, muitas vezes, consideram que o pequeno boom atual começou em 1997, quando o selo francês Buda Musique começou a relançar a chamada série Ethiopique, que hoje consiste em mais de 20 CDs de música da Etiópia e Eritreia.
"A Ethiopique foi importantíssima, influente; pode-se dizer que tenha sido transformadora", disse Jonathan Poneman, um dos fundadores da Sub Pop.
No início da década passada, a banda malinesa Tinariwen surgiu literalmente do deserto, chamando a atenção quando começou suas apresentações em festivais como o Womad, de Peter Gabriel, no Reino Unido.
Membros dos povos nômades do Saara, os integrantes da banda tinham percorrido o Mali, a Argélia e a Líbia, absorvendo não apenas a influência da música árabe e berbere, mas também Jimi Hendrix e Led Zeppelin, criando um estilo potente, movido por guitarras e divulgado como sendo "blues do deserto".
A curiosidade sobre a música africana pode ser suscitada também pela popularidade recente de bandas americanas como Dirty Projectors e, especialmente, Vampire Weekend, ambas as quais começaram como projetos de alunos de grandes universidades americanas que aderiram à música africana, incorporando alguns de seus ritmos e vozes. No Reino Unido, um processo semelhante começou antes: Damon Albarn lançou o álbum Mali Music há quase dez anos.
Assim como Bob Marley virou símbolo da autenticidade terceiro-mundista quando apareceu no cenário pop, nos anos 1970, artistas da onda africana parecem estar ganhando credibilidade e legitimidade graças a experiências de vida duras.
Tanto a Tinariwen quanto a Sierra Leone Refugee All-Stars emergiram do exílio e de campos de refugiados; a The Good Ones é formada por sobreviventes do genocídio em Ruanda, e os membros da Blk Jks (foto) vêm do bairro pobre de Soweto, localizado nos arredores de Johannesburgo.
No passado, artistas africanos se queixaram de sua música ser apresentada como "exótica" e de terem seus direitos criativos usurpados por gravadoras, estúdios e empresas de administração europeias e americanas. Mas os selos indie parecem ter consciência dessas preocupações. Além disso, a geração atual é feita de artistas mais conectados que seus predecessores, mais aptos para defender seus direitos.
Os chefes dos selos indie que fizeram suas apostas modestas na música africana também apontam para a globalização e a internet, que realmente transformaram algo que, no passado, era distante, em algo que está a apenas um clique de distância.
"Existem ouvintes de todos os tipos no mundo, e muitos deles têm acesso a todos os tipos de música", disse Poneman.


Folha de São Paulo, segunda-feira, 07 de fevereiro de 2011