25 de mai de 2009

Música africana na Internet

Tema será apresentado por Simão Souindoula durante o VI Simpósio de Música Africana em Agosto. 06.01.2009

Adriano de Melo

A expansão da música africana e sua inserção na dinâmica da nova era tecnológica será o tema de uma palestra a ser proferida pelo historiador Simão Souindoula, durante os trabalhos do VI Simpósio de Música Africana, que terão lugar na capital do Congo, Brazzaville, de 3 a 7 de Agosto.

Considerada pelo especialista como “uma temática bem actual e crucial nesta era da globalização”, o encontro permitirá, de acordo ainda com Simão Souindoula, mostrar que “a oportuna inserção da música africana na Internet permite hoje navegar e explorar as várias culturas de África, transmitidas ao público a partir das canções”.

Denominado “A Música Africana no Cruzamento dos Caminhos da Globalização”, o especialista que representou, durante anos, o Centro Internacional das Civilizações Bantu (CICIBA)  no conselho de administração deste simpósio, apresentará uma comunicação com o título “A Música Africana Digital, o seu Potencial na Internet e os seus Efeitos no Mercado Internacional”.

Para Simão Souindoula, que é consultor da UNESCO e da União Africana no domínio da expansão das indústrias culturais no espaço da Comunidade Económica dos Estados da África Central (Ceeac), “o desenvolvimento digital das expressões musicais africanas permitirá melhorar os seus resultados financeiros no mercado internacional, que mantêm-se há anos a menos de um por cento do comércio mundial dos suportes musicais”.

Na linha do tema do encontro, o historiador angolano recordará que a Internet e as novas tecnologias são um trunfo para a música do continente, por permitirem aos diversos provedores criarem sites e marcas, proveitosas na expansão e divulgação dos hábitos e costumes africanos.

O especialista avançou ainda que fará, durante o encontro, uma avaliação das consultas de alguns “sites” na Internet que oferecem música africana, tais como as marcas inglesas World Circuit, que produziu o maliano Ali Farka Toure e a orquestra Baobab de Dakar, e a francesa Spirale –DG Diffusion, que lançou o documentário musical “Justo Valdez e la Rumba Palenquera”, em homenagem ao percussionista Batata.

Segundo o historiador angolano, a sua participação nas actividades do Festival Panafricano de Música 2009 (Fespam), ajudará a contribuir para um melhor conhecimento da música africana, com informações decisivas sobre a sua evolução modernista, a sua organologia e o seu contributo para as lutas de libertação em África.

“Esta última vertente vai constar nas actas do último Simpósio de Música Africana, sobre o lema ‘O papel da música na libertação de África’, que será lançada, em Paris, no próximo dia 25 de Maio, Dia de África, pelas edições Harmattan, e terá também um estudo meu intitulado ‘O conjunto Nzaji. O ícone da música revolucionária angolana de exílio’”, explicou.

fonte: Jornal de Angola

disponível na Casa das Africas

12 de mar de 2009

Angola e Bahia unidas pela arte

O cantor angolano Dog Murras engata parceria com os baianos Márcio Victor e Carlinhos Brown para popularizar o ritmo africano no Brasil
CHICO CASTRO JR.
ccastrojr@grupoatarde.com.br

Se depender do cantor angolano Dog Murras e do baiano Márcio Victor, do Psirico, o ritmo do kuduro – original de Angola – não sai de moda tão cedo. A dupla prepara para breve o lançamento do álbum Kuduro Brasil, uma jogada decisiva para popularizar de vez a batida d‘além mar em terras brasileiras.

Em outra frente, Murras, Victor e Carlinhos Brown tocam outro projeto, denominado Angobahia.

O rapaz de Luanda, que participou do Carnaval em cima do trio com Victor, define o projeto como uma “iluminação divina.

Temos conversado muito e a gente identifica visões comuns e problemas comuns. Eles (Victor e Brown) têm preocupações com o povo da Bahia e eu, com o povo de Angola“.

Sobre o Kuduro Brasil, Márcio Victor define o projeto como “diferente do Angobahia , que é mais conceitual. O Kuduro Brasil é comércio mesmo, vamos fazer muitos shows pelo Brasil, vamos tirar um tempo pra fazer essa turnê, eu e ele“.

O que não está certo ainda é a data em que essa maratona começa.

“Vai ter um lançamento, mas não temos ainda previsão.

Ele está indo para Angola agora, mas volta em maio“, disse Victor.

De certo é que sai esse ano. “O Kuduro Brasil vai ser lançado ainda esse ano com a Penteventos, que vai tocar esse barco. O Dog vai trazer dançarinos e tudo“, acrescentou.

Na semana passada, a dupla gravou o clipe da música Kuduro de Fogo, que logo vai ser lançado.

“Nós mesmos dirigimos, gravamos na produtora A Ilha. É um clipe com cenas picantes, muita mulher e muito kuduro“, disse.

Segundo Dog Murras, o kuduro surgiu em Angola como “uma cópia mal feita da música dance tecno europeia. A ela foram se juntando guitarras tocadas à moda angolana. Para dar a patente da Angola, misturei o kuduro com o kazukuta, que é o ritmo do carnaval angolano“.

“Hoje o kuduro é sem dúvida a maior manifestação cultural de Angola, terra do diamante, do petróleo e do kuduro“, acredita Dog Murras.

Márcio Victor descreve o Kuduro Brasil como uma fusão: “Tem sons programados, sim, mas misturado com a pegada orgânica da gente, com surdo e timbau“.

Já o projeto Angobahia tem um caráter um tanto mais didático do que o Kuduro Brasil.

“É mais ou menos como uma ong. Queremos abrir uma escola em Angola, além de promover espetáculos aqui (na Bahia) e lá em Angola. Haverá a gravação de um documentário sobre esse nosso encontro“, enumera Dog.

“O Angobahia é um projeto que se pretende histórico. Nossa finalidade é que várias pessoas bebam dessa fonte, pois nele poderão ser pesquisadas várias linhas de ritmo e melodia. A ideia é transformá-lo numa fonte de pesquisa“, afirma o angolano.

Por enquanto, ainda não há previsão sequer do término das gravações. “O problema é conciliar as agendas dos três (Dog, Victor e Brown)“, confessa.

”Quando podemos nos encontrar aqui, gravamos. Temos umas cinco músicas já gravadas.

Como fazemos naturalmente, sem pressa, não temos previsão de nada ainda. Mas temos certeza que é um projeto que vai beneficiar Angola e Brasil”.

”Trata-se de resgatar traços culturais que nossos antepassados trouxeram para cá e ficaram melhor conservados aqui do que lá em Angola, como o batuque, a capoeira e o candomblé, que os colonizadores portugueses proibiam os angolanos de praticar”, conta Dog.

”Por isso queremos criar essa escola em Luanda. Ela seria o ponto de resgate dessas tradições”, conclui.

fonte:
A Tarde
EDIÇÃO DO DIA 10.03.2009
Sotaque Baiano - Página 8

24 de fev de 2009

Kuduro no pé

Thiago Teixeira/Agência A TARDE

Cleidiana Ramos, do A TARDE

O Kuduro virou uma das coqueluches do Carnaval deste ano por conta do hit do Fantasmão: Isso não é samba/ Essa mania vem de Luanda/ Kuduro, Kuduro, Kuduro, Kuduro. Mas a intimidade baiana com a dança importada de Angola é bem mais antiga do que a adoção do ritmo pelo reino do pagode.

Em Plataforma, a Academia de Kuduro Baiano-Angola, que funciona de forma itinerante, já divulga o ritmo pela cidade desde 2000. Durante a folia de Momo em Salvador a turma do kuduro ganhou um reforço de peso: o cantor angolano Yuri da Cunha que é especialista em outros ritmos como o semba, mas que também toca o kuduro.
O kuduro nasceu em Angola como um ritmo de rua na década de 90. Viveu um período de marginalização até que no ano passado virou moda no país.
“Minha ligação com o kuduro começou em 2001 por meio de Dog Murras, que divulgou o ritmo. O ano passado durante a minha apresentação na festa de aniversário do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, eu cantei o kuduro. O presidente cantou e dançou. No outro dia só se falava nisso”, conta Yuri.
Molejo – O nome da dança remete realmente à forma como o bumbum fica em alguns momentos da perfomance. Daí para a frente é só ir mantendo o ritmo, mas, para ser leal à sinceridade, não é facil ganhar o molejo dos experts como Bonês, Bela, Filomena e Yuri Barata, que acompanham Yuri da Cunha ou Álvaro Di Amaro, Alda Valéria, Nadjara e Sendji Fortunato, da Academia.
Mas vale dizer que o ritmo contagiante ajuda muito. “É uma dança que é feita com elementos de outros ritmos, como o hip hop, com os movimentos soltos ”, conta Sendji. Foram os seus pais que apresentaram o ritmo a Álvaro.
“Isso foi em 1995. A gente começou pensando em fazer umas festas de divulgação do kuduro. A coisa foi crescendo, acabou em um projeto social e finalmente na Academia”, acrescenta.
Pagode – A longa história do kuduro fica ofuscada diante da versão pagode que ela tomou a partir do ritmo de Fantasmão. Embora a turma que o conheça de longas datas faça questão de destacar que a forma pagodeira fica bem longe da original, a fama repentina está ajudando na divulgação do verdadeiro formato do ritmo.
“Se tem este lado ruim da música ganhar as ruas numa versão que é distante do que ela realmente é, tem o lado bom que é fazer com que as pessoas sintam a curiosidade de saber o que é o kuduro de fato”, completa Sendji.
E a participação de Yuri da Cunha no Carnaval- ele hoje ainda se apresenta no Circuito Dodô (Bara-Ondina a partir de meia-noite- também tem aberto espaço para que a Bahia conheça outros ritmos de além-mar como o semba. Aos 28 anos, Yuri tem uma longa e premiada carreira musical tanto em Angola como em Portugal.
“Eu agora estou pensando em investir também em ficar mais conhecido aqui na Bahia”, conta o cantor. Neste Carnaval ele já fez participação especial no trio e no camarote de Daniela Mercury, no camarote Lotus e cantou com Alexandre Pires, ao lado de quem deseja realizar novos projetos.

23 de fev de 2009

O que é que o kuduro tem?

O que é que o kuduro tem?
Conheça o ritmo angolano que faz sucesso no carnaval de Salvador
Da redação (iG)

Não há como permanecer sério quando se ouve a palavra pela primeira vez: kuduro. Esse é o nome do ritmo angolano que está bombando no carnaval de Salvador. Artistas como Daniela Mercury, Margareth Menezes, Carlinhos Brown, Psirico e Ivete Sangalo já atualizaram seus repertórios com a batida frenética. O grupo soteropolitano Fantasmão até compôs uma música, no ritmo, com letra que tenta explicá-lo. Mas, afinal, o que é o kuduro?

Kuduro é uma mistura de semba, um ritmo angolano tradicional, com batidas eletrônicas. O semba, aliás, é velho conhecido dos brasileiros, pois ele é também o ancestral do samba. Talvez por isso o sucesso do ritmo não só em Salvador, mas também no Rio de Janeiro, cidades onde já existem grupos que cantam na cadência do kuduro. Já o nome “kuduro” pode ser uma referência ao principal passo desta dança: a contração das nádegas. “O kuduro tem tudo a ver com o axé. Os dois tem a mesma levada, e se baseiam muito no som da percussão”, afirma o cantor angolano Dog Murras.

Ele veio ao Brasil pela primeira vez há cinco anos e, desde então, tem se empenhado em promover o intercâmbio entre as músicas brasileira e angolana. Em angola, o kuduro é cantado em português, com algumas expressões em kimbundo, uma das línguas locais. No Brasil, Dog Murras fez parceria com Márcio Victor, vocalista do Psirico, e Carlinhos Brown, gravando a canção “Semba Muloji”, que fez sucesso nas rádios de Luanda no ano passado. Os três planejam a gravação de um CD/DVD chamado “Angobahiá”, que incluirá não só o kuduro mas ritmos como kazukuta, semba, axé e samba reggae, com o objetivo de resgatar as origens africanas da música brasileira preservadas na Bahia.

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